Este Bloque é desenvolvido no âmbito de um trabalho para a disciplina de Imigração, Minorias e Interculturalidade, integrada no Mestrado em Estudos da Criança - especialização em Associativismo e Animação Sociocultural
Para a realização deste estudo tivemos como ponto de partida algumas notícias das quais tiramos algumas conclusões que nos permitiram a realização de inquéritos.
Achando este estudo bastante pertinente consideramos de todo enriquecedor a realização de entrevistas, opiniões e observação directa para o complemento do presente.
O trabalho estrutura-se da seguinte forma:
1. Ponto de partida;
2. Análise e conclusões dos inquéritos realizados;
3. Observação directa em lojas de Barcelos e Braga;
4. Conclusões;
5. Entrevistas e opiniões;
6. Suporte de apoio à realização do estudo.
Em Portugal há cerca de 20 mil chineses, número superior aos 8336 registados no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, quase todos trabalhadores não qualificados, que se dedicam ao comércio.
As lojas chinesas são em grande número, em espaços estratégicos onde o comerciante Português não tem capacidade de fazer face ás elevadas rendas.
A origem dos produtos que abastecem estas lojas é 70 por cento oriundo da China. Os imigrantes aproveitam os conhecimentos que têm no seu país e estabelecem contactos, muitas vezes com familiares, para fornecerem as suas lojas a preços especiais. "Um chinês consegue negociar preços baixos com mais facilidade do que um estrangeiro", diz Chen Liao.
A mentalidade e o comportamento a que os chineses estão habituados também ajudam a explicar o êxito no mundo do comércio, À primeira vista, vivem para o trabalho em vez de trabalharem para viver: estão abertos sete dias por semana, com um horário capaz de esmagar o comércio tradicional português.
Eis alguns acontecimentos que ajudam a compreender a recente importância dos chineses e dos seus produtos à escala mundial
1 de Junho de 1997 - Hong Kong torna-se uma Região Administrativa Especial da República Popular da China. Até essa data era uma colónia inglesa, com uma economia de mercado pura e dura
19 de Dezembro de 1999 - Passagem da soberania de Macau de Portugal para a China, também como Região Administrativa Especial
12 de Dezembro de 2001 - Adesão da China à Organização Mundial de Comércio (OMC)
Entre 2001 e 2004 - Abertura progressiva do mercado chinês à economia internacional. A indústria chinesa torna-se uma das mais competitivas do mundo
Até 31 de Dezembro de 2004 - Serão eliminadas as quotas alfandegárias ainda existentes sobre os têxteis e o vestuário fabricados na China
Durante o ano 2005 - Conclusão do porto de águas profundas de Xangai (terceiro maior porto do mundo em capacidade)
Género
Foram inquiridas, nas Cidades de Barcelos e Braga, 31 pessoas das quais 16 do sexo masculino e 25 do sexo feminino.
Estas foram as questões colocadas:
1- Concorda com a existência das lojas chinesas em Portugal?
2- Costuma Frequentar as lojas chinesas?
3- Que artigo costuma comprar?
4- Porquê compra os artigos nesta loja?
5- Sabia que os preços baixos das lojas chinesas são conseguidos em regime de escravatura infantil?
6- Tinha noção que os comerciantes portugueses vendem produtos oriundos da China?
7- Sabia que o governo Português concede a essas lojas isenção de pagamento de impostos?
8- Concorda com essa situação?
9- Fazia ideia que o Governo Chinês paga as altas rendas das lojas na condição de todo o stock vir directamente da China?
10- Considera a comunidade chinesa integrada na sua comunidade local?
11Como considera o cidadão chinês?
O questionário foi entregue e preenchido a pessoas de várias idades, nas cidades de Barcelos e Braga. Foram tidos em conta os seguintes princípios:
· Foi dado a perceber a importância das respostas sinceras para que os resultados estejam o mais próximo possível da realidade;
· Foi salientada a confidencialidade das respostas.
Os dados recolhidos do preenchimento da ficha individual foram tratados estatisticamente, de uma forma descritiva, através da média e da frequência de resposta a cada questão colocada.
Após a recolha dos inquéritos devidamente preenchidos, procedeu-se à apresentação e discussão dos resultados obtidos. Para esta parte do estudo, foram utilizados métodos elementares da estatística descritiva, como a média, valor máximo e valor mínimo. Os resultados foram apresentados em valores reais ou em percentagem.
A amostra é constituída por 31 pessoas, das quais 16 do sexo masculino e 25 do sexo feminino. Os inquéritos foram realizados nas cidades de Barcelos e Braga.
Portugal tem sido um destino para muitos chineses e cada dia que passa, há mais chineses em Portugal.
Os primeiros chineses em Portugal, nos anos 80, começaram com os negócios em restaurantes, seguiu-se a aposta nos armazéns na década de 90 e a partir de 2000 iniciou-se a expansão das lojas. Calcula-se que existam em Portugal cerca de 500 restaurantes chineses, 300 armazéns de revenda e duas mil lojas chinesas. É um número muito grande para o nosso país.
A cultura, as políticas, os costumes e as práticas orientais estão a entrar na vida nacional e os seus negócios já são uma fatia significativa na economia.
Quando perguntamos aos inquiridos se concordam com a existência das lojas chinesas uma maioria de 61% responde negativamente, mas esta maioria não se mantém quando falamos da frequência das mesmas lojas. Uma parte dos inquiridos mesmo não concordando com a existência das lojas frequenta-as (54%). Os produtos utilitários são os mais procurados por 16 das pessoas, de entre uma panóplia de possibilidades, a compra de produtos nas lojas chinesas, segundo 17 pessoas, deve-se ao preço bastante sugestivo que os portugueses não têm possibilidade de oferecer.
O facto dos preços baixos, conseguidos pelas lojas chinesas, serem em regime de escravatura infantil é conhecido por uma maioria de 63%, apenas 10% dos inquiridos desconhecia que comerciantes portugueses vendem nas suas lojas produtos chineses.
O Governo Português concede isenção no pagamento de impostos aos comerciantes orientais, tal situação é conhecida por uma pequena maioria de 56% comparativamente com os 44% dos inquiridos que desconhecia tal facto.
Esta situação que a sociedade portuguesa conhece e reconhece é de total desagrado por unanimidade (100%) pelos barcelenses e bracarenses inquiridos, de acordo com o estudo "A Comunidade de Negócios Chinesa em Portugal - Catalisadores da Integração da China na Economia Global", a comunidade de negócios chineses em Portugal registou um crescimento significativo, tendência que se manterá no futuro.
A situação, escandalosa, que se revela desconhecida pelos inquiridos é a que o Governo Chinês paga as altas rendas das lojas, quando os produtos são 70% oriundos da China. Podemos concluir que o comerciante chinês que encomende parte do seu stock na china, apenas tem lucro na sua vida de comerciante, olhando ao facto de que apenas paga água e luz, visto que está isento do pagamento de impostos.
Não deverá o cidadão português ficar descontente com tal situação de favorecimento?
Apesar de Y Ping Chow mencionar que «Os chineses não querem roubar o pão dos portugueses» não é o que pensam, principalmente, os comerciantes portugueses que não possuem qualquer apoio do estado português.
De acordo com o estudo "A Comunidade de Negócios Chinesa em Portugal”, (para complementar o trabalho desenvolvido) a comunidade de negócios chinesa em Portugal registou um crescimento significativo, tendência que se manterá no futuro. Da autoria dos investigadores Maria Beatriz Rocha Trindade, Miguel Santos Neves e Annette Bongardt, o documento refere que a presença dos empresários chineses tende a ser vista de forma desproporcionada como uma ameaça para empresas locais em tempos de crise, desvalorizando os impactos positivos em termos de concorrência e as oportunidades que os mesmos apresentam para as empresas portuguesas.
As empresas chinesas operam sobretudo em Portugal no sector dos serviços, com particular incidência no comércio de retalho e de grossista, bem como na importação e exportação. O estudo indica que o sector da restauração tem vindo a diminuir, ao mesmo tempo que se regista um aumento do investimento chinês na indústria, sobretudo no sector têxtil.
As empresas chinesas são pequenas e de cariz familiar, diz o documento, destacando que estes empresários optam por um conjunto de pequenas e médias empresas (PME) em vez de uma grande empresa, o que reduz a visibilidade e permite uma melhor gestão de risco. Os autores salientam igualmente que as empresas chinesas se relacionam sobretudo com outras empresas chinesas em Portugal enquanto clientes e fornecedores.
O estudo adianta que essas empresas estabelecem ainda relações com outras firmas chinesas que operam em países da União Europeia, como a Espanha, França e Itália. Assim, os imigrantes mais recentes têm grande mobilidade no espaço europeu, tendo a sua entrada em Portugal resultado de uma "re-emigração a partir de outro país europeu". Nesse sentido, os investigadores concluíram que "os empresários chineses têm, ao nível de PME, uma visão à escala europeia muito mais pronunciada do que muitos empresários portugueses, cuja focagem está ainda muito restrita ao mercado nacional, ou mesmo local.
O relacionamento com os portugueses resume-se basicamente numa lógica de cliente. De acordo com o estudo, os chineses mantêm um intenso relacionamento ao nível comercial com a China, sobretudo com as zonas de origem. O documento indica que vinte por cento dos chineses em Portugal têm investimentos na China, motivados pelas oportunidades de negócio associadas ao crescimento da economia e pela diversidade num sector de negócio diferente daquele que operam
O trabalho desenvolvido, permite-nos concluir que o facto do comerciante chinês estabelecer relações comerciais com familiares, ou não, na china, condiciona também a sua integração nas comunidades locais. 78% dos cidadãos auscultados consideram que os chineses não estão integrados nas suas comunidades.
Tentamos ao inquirir as pessoas encontrar uma caracterização do indivíduo oriental, assim os cidadãos barcelenses e bracarenses consideram-no trabalhador, pouco simpático, pouco sociável, educado e muito pouco conversador.
| Lojas Chinesas | ||||
| | Loja 1_BCL | Loja 2_BCL | Loja 3_BRG | Loja 4_BRG |
| Espaço Físico | ||||
| Dimensão | Grande | Média | Pequena | Muito grande |
| Acessos e Localização | Centro da cidade, acessos óptimos, com estacionamento muito próximo | Periferia da cidade, acesso pouco satisfatório | Periferia da cidade, acesso satisfatório | Centro da cidade, acessos satisfatórios |
| Organização do espaço interior | Razoável, a distribuição dos produtos é um pouco confuso | Satisfatória, bem organizada | Satisfatória, bem organizada | Desarrumação reflexo do movimento |
| Segurança (saídas de emergência, extintores) | Não | Não | Não | Não |
| Casas de Banho | Não | Não | Não | Não |
| Vestiários | 2 | 1 | 2 | 4 |
| Acolhimento e Atendimento | ||||
| Nº de funcionários | 3 | | | 20 |
| Nacionalidade dos funcionários | Portuguesa | Não | Não | Portuguesa |
| Qualidade no atendimento | Empregadas pouco prestáveis, e donos antipáticos | Casal de donos antipáticos e desconfiados | Casal de donos desconfiados | Boa |
| Horário de funcionamento | Todos os dias, inclusive feriados, 9h-20h | Todos os dias, inclusive feriados, 9h-20h | Seg a Sáb das 9h-19h | Todos os dias, inclusive feriados, 9h-20h |
| Formas de pagamento (dinheiro, multianco,…) | Dinheiro | Dinheiro | Dinheiro | Multibanco e dinheiro |
| Frequencia | Muito frequentada | Pouco frequentada | Mais frequentada ao final da tarde | Muito frequentada |
| Artigos | ||||
| Artigos existentes | Todo e tipo, alguma variedade de artigos | Todo o tipo | Todo o tipo mas pouca variedade | Todo e tipo, encontram-se artigos que não se vêm noutras lojas – muita variedade |
| Os mais vendidos | Vestuário e Utilitários | | Utilitários | Utilitários e Vestuário |